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wCriado Mudo |
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"Os filhos vão, os netos, tudo mais. E muito pouco fica no lugar. Sobra um Criado mudo pra apoiar as suas fotos, meu jantar..."
(Leoni)
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wSexta-feira, Junho 22, 2007 |
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"meu sangue é de gasolina, correndo não tenho mágoa"
Sei que tá todo mundo de saco cheio dessa propaganda toda pra votar no Cristo como a sétima maravilha do mundo, que ninguém agüenta mais ouvir falar em Ariano Suassuna, que tá todo mundo fulo da vida com a Marta Suplici depois do ¿relaxar e gozar¿ nos aeroportos e, pro seu desprazer, vou falar disso tudo. Uma bobagem votar no Cristo. Eu votei, mas não me senti melhor e mais cidadã por causa disso. Acho que o Cristo Redentor é uma maravilha nossa, carioca, brasileira e não precisa de votação na Internet e nem de elogios estrangeiros pra tornar-se mais importante. O país está às moscas, entregue à Deus como se os homens não estivessem aqui pra melhorá-lo. O Brasil grita por socorro e o presidente lá no Cristo, pedindo votos, dizendo que os brasileiros são os únicos a reclamar do próprio país, enquanto Lula está criando mais seiscentos e cacetadas novos cargos. A crise dos aeroportos está a mil, pessoas com compromissos profissionais prejudicados, problemas pessoais não resolvidos, filhos desesperados pra chegar ao local onde o pai ou mãe está dizendo adeus, pessoas deitadas no chão como cachorros. Seria muito fácil relaxar e gozar caso nos aeroportos existisse o mínimo de respeito aos cidadãos, pensando bem, não seria fácil e sim menos árduo. Seria muito fácil relaxar quando a única preocupação na vida é a próxima coleção de bolsas da grife sei lá qual ou o próximo show internacional do Supla. A única coisa boa que tenho a dizer do Brasil nesses últimos dias, é o Ariano Suassuna. Um grande brasileiro, um ótimo escritor, uma pessoa iluminada. Quem já teve o prazer de ler um livro, assistir a uma entrevista ou qualquer outra coisa, sabe que ele é brilhante. A arte está focada na realização de um Brasil melhor, de um país esperançoso. Sinceramente, dá vontade de mandar tudo à merda, fazer as malas e sumir do mapa. Mas como diria Arthur, é por isso que o Brasil está assim. Porque os jovens invés de lutarem por um país mais justo, buscam justiça no país dos outros.
Presente - Analice Alves
Não é tão difícil olhar pro presente
Quando o passado já não manda lembranças
Fica fácil olhar o futuro com olhos de aviso
Quando o presente não passa de um dia
Esperando acabar.
a vida, seja longa ou curta
não passa de uma coincidência planejada
uma novela desenfeitada
o resultado de um ato
o durante de alguém
A morte, haja pós ou não
Haja céu ou chão
É a certeza que temos
É o medo que carregamos
É a dúvida que os cientistas
Ainda cultivam
Penso na vida, mas desconverso
Quando o assunto é a morte
Não sei falar de algo que não vivi
Não adotei uma postura que me iluda
Acho que só sei viver
Não sei morrer...
06/06/07
PS: Dia 18 foi aniversário do Fê e ele foi super fofo dizendo que o maior presente que ele poderia receber eu já dei a ele. E dia 19 foi dia do grande mestre Chico Buarque.
Até,
posted by
ANALICE ALVES at 4:33 PM
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wTerça-feira, Junho 12, 2007 |
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"tristeza não tem fim/ felicidade sim"
Muitas coisas pra postar, mas hoje deixo por conta do 12 de junho. A seguir, um texto sobre o dia e depois uma poesia sobre a poesia.
Solidão - Analice Alves
Hoje, milhares de telefonemas foram dados, milhares de flores foram compradas, milhares de aparelhos celulares foram adquiridos. As promoções das lojas estavam tão boas, que até os famosos ¿peguetes¿ ganharam presentes. Até a mulher viúva ou a menina sem namorado (ainda) compraram blusas, vestidos, bijuterias, sapatos e se deram de presente. Imagino quantos casais estão, nesse exato momento, jantando numa churrascaria, enchendo a pança num rodízio de massas ou rachando uma pizza na sala de estar. Imagino quantas mulheres estão em casa, chorando e sofrendo por um amor antigo ou pelo namorado que terminou há dois dias. A solidão é companheira de muita gente. Quantas pessoas chegam em casa e encontram só o cachorro ou gato ou pior, um aquário cheio de peixes japoneses. Quantos homens recém separados chegam irritados do trabalho e não têm o ombro amigo da ex-mulher e, muito menos, uma companhia na cama. Quantos rapazes chegam da faculdade depois de terem sido dispensados pelos amigos que têm namorada. Quantos deles entram no quarto depois de terem pegado (ou conquistado) alguma menina, mas é como se estivessem mais sozinhos do que nunca. Quantas meninas se arrasam por estarem sem namorado, por não ter ganhado um ¿feliz dia dos namorados¿ do ficante da escola. Mas quantas aproveitam o dia pra sair com as amigas solteiras e dançar até raiar o dia. Ninguém quer estar sozinho, porque a solidão é feia, é coisa de gente esquisita, de homem nerd e mulher feia. Solidão é troço de poeta, título de música, rima de prosa. O legal é ter namoradinho, é ir ao cinema agarradinho, é comer uma pizza gordurosa na esquina, mas poxa, com ele! O legal é fazer cartãozinho, é ficar bem arrumadinha, esperando elezinho chegar. Solidão só é bonita na arte, na música, no cinema. Como diria Xico Sá, solidão não vende celulares.
O meu poema - Analice Alves
Às vezes, meu poema é tão natural
Como uma verdura ou um suco de frutas
Outras vezes, meu poema é tão ¿natural¿
Como uma verdura ou um suco de frutas
Quimicamente modificados.
Até,
posted by
ANALICE ALVES at 6:20 PM
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wSexta-feira, Junho 01, 2007 |
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"eu que não fumo queria um cigarro/ eu que não amo você envelheci dez anos ou mais nesse último mês" (H. Gessinger)
REALIDADE ¿ Analice Alves
Acordei feliz por pensar mais em mim do que em ti. Chato pensar que o amor não passa de um passa-tempo. Ah! Como eu queria pensar assim. Abro o armário e descubro aquelas roupas que você não levou, os discos, os livros, os bilhetes, a falta que você me faz. O porta ¿ retrato, parado, me olhando com saudade, ignoro o que eu tenho certeza, você não me ama mais. Foi embora, me deixou aqui, amando a nossa casa. No varal, não encontro mais seu terno de linho e muito menos, a camisa do Flamengo. Não compro mais o Jornal de domingo e não faço mais sardinha ao molho vinagrete. A música que soa dentro do apartamento é o barulho das ruas movimentadas, homens vendendo tapioca, mulheres gritando os filhos, brigas no trânsito. Não abro as cortinas, por não querer o sol, por querer me excluir do mundo. Queria tanto me excluir de mim mesma e esquecer que eu sou eu, esquecer que te amo. Na dobra dos tapetes, no torto dos quadros, no desassossego da alma, o real evolui a queda: você não está. A campainha toca, mas é o entregador da farmácia, o telefone toca, mas...é engano. Ajeito meu leito para dormir e penso que, talvez amanhã, acorde feliz por pensar mais em mim do que em ti.
"Cem sonetos de Amor" ¿ Pablo Neruda
Saberás que não te amo e que te amo
posto que de dois modos é a vida,
a palavra é uma asa do silêncio,
o fogo tem uma metade de frio.
Eu te amo para começar a amar-te,
para recomeçar o infinito
e para não deixar de amar-te nunca:
por isso não te amo ainda.
Te amo e não te amo como se tivesse
em minhas mãos as chaves da fortuna
e um incerto destino desafortunado.
Meu amor tem duas vidas para amar-te.
Por isso te amo quando não te amo
e por isso te amo quando te amo.
posted by
ANALICE ALVES at 10:41 PM
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